quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O profissional da saúde e o uso de adornos e jalecos

O profissional da saúde e o uso de adornos e jalecos

Marcelo Leandro Ribeiro


Quando os profissionais de saúde começaram a pensar em âmbito nacional na necessidade de criar uma política ou norma de saúde e segurança do trabalho para o setor – que viria a se formalizar através da publicação da NR-32 em 2.005- sabiam que o mais difícil seria mudar a cultura das pessoas que atuam nesse segmento.

E desde a aprovação da Norma Regulamentadora nº 32 as coisas não mudaram muito.
Recentemente os mecanismos de comunicação têm veiculado matérias apontando condutas erradas dos nossos companheiros de labor, sobretudo ressaltando as ações que podem levar a riscos de contaminação do ambiente ou do paciente.

É interessante citarmos dois casos comuns em qualquer unidade de saúde do Brasil: a utilização de adornos e o uso indevido de jalecos e vestimentas privativas.

No caso dos jalecos, parece que esse instrumento, destinado à proteção do corpo do funcionário e reforçador do demonstrativo de assepsia ganhou (e gerou) ares de status a quem o utiliza. É normal vermos estudantes transitando no entorno das faculdades de enfermagem e medicina com seus jalecos, ou mesmo profissionais graduados com essa indumentária fora da área hospitalar.

Pesquisas recentes apontam para a inevitável contaminação dos jalecos quando usados inadequadamente (com 90% das bactérias resistindo por até 12 horas na vestimenta e podendo contaminar as áreas por onde o profissional que a esteja trajando transitar).

Outro caso típico de desrespeito às normas primárias de biossegurança é a utilização de adornos (anéis, pulseiras, brincos, colares, etc) em áreas onde haja a exposição do profissional de saúde à agentes biológicos. No caso dos adornos, a proibição se deve dada a compreensão de que estes instrumentos podem sofrer contaminação e servir de vetor para propagar a presença de microorganismos vários pela unidade de saúde, ou ainda, possibilitar ao profissional retirar esses agentes da unidade e transpô-los para sua residência ou outros locais.

Os riscos ambientais na área de saúde são quase sempre invisíveis, pouco palpáveis ou perceptíveis ao colaborador, por isso a maior dificuldade em compreenderem que ações simples podem gerar bem estar ou benefícios para a sua saúde. Assim sendo, mesmo com um instrumento rígido e eficiente já existente (a NR-32) sem uma mudança drástica de cultura, os trabalhadores de saúde continuarão expostos. Como promover essa mudança? Com perseverança e parcimônia. Se alguém tiver outra fórmula, por favor, me conte!
Marcelo Leandro Ribeiro
Coordenador Técnico de Segurança do Trabalho

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