quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fatores Psicossociais no Ambiente da Saúde

Fatores Psicossociais no Ambiente da Saúde

Marcelo Leandro Ribeiro

A área da saúde diferencia-se das demais por uma série de características, sendo uma das mais marcantes a presença efetiva de riscos quase que imperceptíveis aos trabalhadores, porém, de igual ou maior gravidade que aqueles encontrados na indústria e comércio.

Além de palco exponencial para a proliferação e contaminação por riscos biológicos, outros fantasmas agem em silêncio em clínicas e hospitais: trata-se dos fatores psicossociais que afetam drasticamente a saúde de auxiliares, técnicos e enfermeiros. São, inclusive, esses fatores que levam ao maior índice de adoecimentos e afastamentos de profissionais da saúde em nível nacional.

Não é difícil traçarmos um mapa do desgaste psicossocial dos nossos colaboradores: via de regra possuem um segundo ou terceiro emprego, e entre estes estudam – exigência contínua para profissionais da área. O trato com a dor e a morte, o apego à pacientes que se vão, tudo isso influencia de forma efetiva no comportamento e na saúde mental dos trabalhadores.

Não bastassem esses fatores, ainda existe, em meio à várias unidades de saúde pelo Brasil afora, aquele tipo de chefe ultrapassado que, se pudesse, usaria um chicote para guiar sua ‘tropa’. A exigência pela realização de horas extras, a marcação cerrada em cima dos funcionários, ameaças, maus tratos, etc, além de configurar assédio moral, ainda coloca em declínio o bem estar no ambiente, reduz o índice de satisfação dos funcionários do setor e agrava ou faz surgir doenças psíquicas nos colaboradores.

Não à toa, nos hospitais, o índice de afastamentos por stress, depressão, e transtornos mentais é extremamente elevado, causando prejuízos às instituições e aos cofres públicos, já que quem arca com a maior fatia dos encargos gerados pelos afastamentos é exatamente a Previdência.

Assim sendo, cabe aos setores de medicina ocupacional ou segurança do trabalho estudar o problema e encará-lo de frente.

Um trabalhador debilitado ou adoecido interfere na produção de sua equipe, gera insatisfação de pacientes (ninguém quer ser atendido por quem não esteja bem, ou que passe o dia reclamando de tudo e todos, para todos e tudo), e também produz prejuízos vários à empresa.

Uma das medidas possíveis é mapear os fatores geradores de afastamentos por agentes psicossociais no ambiente laborativo e começar a enfrentá-los, um a um, de frente e com coragem.

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